Imagina na copa

Inspire-se com as histórias que encontramos

Aqui você assiste toda semana a uma nova história de quem está transformando o país para melhor. São projetos e ações
de pessoas que fazem seu melhor onde estão e com o que têm para mudar o Brasil. Até a abertura da Copa do Mundo,
em 12 de junho de 2014, serão 75 documentários para inspirar você.
Se quiser indicar um projeto para a gente, fique à vontade! Se quiser colaborar para o próximo, faça uma doação.

História #10 – Meu Rio

Pouco mais de dois anos atrás, o poeta, escritor e acadêmico Lêdo Ivo afirmou que o calor atrapalhava a reflexão no Brasil. E acrescentou que a paisagem exuberante desvia as atenções e impede que o brasileiro tenha uma vida interior rica. “Há uma espécie de inflação de paisagem”, constatou. Imagine, então, o problema que o carioca enfrenta diariamente tendo que viver na primeira cidade do mundo a receber o título da Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana. Não é fácil.

Brincadeiras à parte, o Rio é definitivamente uma cidade em pleno processo de transformação. Toda mudança envolve um sem-número de atores sociais, interessados e impactados por esse processo. E foi nesse contexto que o Meu Rio se criou.

“2009 foi o ano em que o Rio foi escolhido sede das Olimpíadas, o Brasil já tinha sido nomeado sede da Copa 2014. A gente olhou pro que estava acontecendo e ficou preocupado. A cidade vai mudar de uma maneira que não reflete necessariamente os anseios, os sonhos das pessoas que moram na cidade”, conta Alessandra Orofino, co-fundadora do Meu Rio.

É dessa preocupação que nasce a missão do Meu Rio: fazer com que o cidadão comum possa participar efetivamente da construção de políticas públicas. E a tecnologia é usada a serviço disso. Através do site e das redes sociais, o Meu Rio coloca os cariocas a par da pauta política da cidade, que de forma geral é discutida por poucos tomadores de decisão em salas fechadas.

O projeto faz parte da incubadora Purpose, que ajuda na criação de organizações de mobilização social em diversas partes do mundo, como a comunidade internacional de campanhas on-line Avaaz, que recentemente conseguiu levantar mais de 1,6 milhão de assinaturas na petição a favor da saída de Renan Calheiros da presidência do Senado.

Um grande case de mobilização do Meu Rio foi a petição contra a demolição da Escola Municipal Friedenreich, localizada no complexo do Maracanã, em outubro do ano passado. Por conta das obras de reforma do estádio, o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro aprovaram que a escola fosse destruída para dar lugar a uma quadra de treinamento provisória.

Só esqueceram um detalhe: a Escola Municipal Friedenreich é a quarta melhor da cidade, segundo o Ideb, e exemplar no trabalho de integração de alunos com necessidades especiais. Procurado por uma mãe de aluno, o Meu Rio criou um abaixo assinado em apoio a uma carta escrita pela aluna Bia [9 anos] que pedia pra escola não ser demolida. Mais de 20.000 cariocas assinaram e começaram a participar das ações que o Meu Rio criou pra defender a escola.

Como o destino é camarada, por coincidência, marcamos a gravação da entrevista com a Alessandra no dia em que a Câmara dos Vereadores estava votando um projeto de lei que pedia o tombamento da escola como patrimônio histórico [uma das tentativas para evitar a demolição]. No instante em que desligamos as câmeras, a votação iniciou. Descemos às pressas pelas escadas do pequeno prédio onde o escritório fica localizado, em Laranjeiras, zona Sul do Rio. Quando chegamos lá embaixo, o cenário era de final da Copa do Mundo: a galera toda em frente à tevê, vibrando a cada voto a favor.

Quando a votação atingiu o número necessário para o projeto ser levado adiante, a comoção foi geral. Dentro da Câmara, a vibração da galera que se organizou para estar lá presencialmente e pressionar os vereadores. No escritório do Meu Rio, a torcida do pessoal que trabalhou na mobilização de 20.000 cariocas em torno da causa que era da Bia e de dezenas de outros alunos. Foi difícil conter a emoção diante da cena.

Em fevereiro desse ano, veio a confirmação: a escola só sairá do lugar quando a outra estiver pronta. Ainda assim, o Meu Rio está no momento conversando com pais e professores pra entender como fiscalizar e garantir que essa cláusula não só será obedecida como também respeitará questões fundamentais, como a realocação de todo corpo educacional – nesse caso, exemplar.

Se a galera está engajada assim agora, imagina na Copa! 😉

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