Imagina na copa

Inspire-se com as histórias que encontramos

Aqui você assiste toda semana a uma nova história de quem está transformando o país para melhor. São projetos e ações
de pessoas que fazem seu melhor onde estão e com o que têm para mudar o Brasil. Até a abertura da Copa do Mundo,
em 12 de junho de 2014, serão 75 documentários para inspirar você.
Se quiser indicar um projeto para a gente, fique à vontade! Se quiser colaborar para o próximo, faça uma doação.

História #43 – Eu Livre – Educação e Saúde

O Eu Livre – Educação e Saúde é um coletivo formado por jovens moradores do Distrito Federal, que buscam a difusão da cultura da saúde através de saberes tradicionais e terapias holísticas.

Tudo começou com Mariana Almeida, 26 anos, que se formou e atuou como técnica de enfermagem pelo Distrito Federal. Na sua jornada de trabalho com a saúde, ela notou que muito do trabalho que era desenvolvido não funcionava tão bem. Para Mariana, o trabalho na saúde necessita de um lado mais humano, que muitas vezes não é visto e desenvolvido nos centros de saúde do país.

Com o tempo, Mariana conheceu algumas terapias mais humanas e naturais, que faziam muito mais sentido com o seu modo de encarar a saúde e a vida.

Em um curso de acupuntura, Mariana desenvolveu um projeto de saúde para crianças e pais em uma escola, com vivências, dinâmicas, alimentação terapêutica e diversas outras atividades. Já fora do curso, Mariana percebeu que esse projeto tinha um potencial enorme, e também era muito necessário para as pessoas que não tem acesso a um sistema de saúde de qualidade.

“A galera precisa conhecer isso. E eles não tem acesso a isso. Pra eles acupuntura, por exemplo, é coisa de outro mundo, é caro, é inacessível mesmo.”

Assim, Mariana, junto com amigos que também pensam que a saúde e a educação necessita ser mais humana e coletiva, escreveu um novo projeto, e então nasceu o Eu Livre – Educação e Saúde, que busca desenvolver o ser humano por completo, nos níveis individual, social e planetário.

A ideia do Eu Livre, como explica Mariana, é difundir a cultura do cuidado e do autocuidado, na qual a pessoa possa se conhecer e cuidar de si, do outro e do ambiente de diversas formas, como na alimentação, na respiração e com exercícios, por exemplo. Esse autocuidado se dá através de terapias holísticas e saberes diversos, como homeopatia, fitoterapia, acupuntura, yoga, cultura popular, permacultura e muitas outras.

Keyane Dias, uma das educadoras do projeto, explica que a ideia do Eu Livre é propor que:

“A saúde não é algo que você busca, e sim algo que você tem e promove de forma individual e coletiva, é algo que você tem que manter. E a gente usa muito a educação popular, que é a troca de saberes. Onde a gente não tá indo lá para ministrar um conhecimento, e sim para mediar, para mostrar que todos tem algo pra passar, pra somar e pra dividir. A ideia é desmistificar e resignificar a saúde de uma forma popular, que mostre que a pessoa tem autonomia sobre ela mesma.”

Sediado em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal, o Eu Livre está inserido em uma localidade muito especial da cidade, que é o Mercado Sul. Criado inicialmente como um grande centro comercial, mas depois abandonado e decaído com o passar do tempo, o Mercado Sul hoje é um importante centro de resistência cultural e social. Com a junção de diversos artistas, artesãos e empreendedores sociais, a região oferece à comunidade diversas atividades culturais, como teatro, dança, artesanato, capoeira e muitas outras. Mas o mais importante são as trocas de aprendizados que ocorrem no local, onde todo o ecletismo social e cultural do espaço ajuda a enriquecer a vida de todos que moram, trabalham ou passam pelo Mercado. E dentro desse contexto, o Eu Livre se juntou com outros coletivos para formar o Espaço Cultural Mercado Sul, que é um espaço colaborativo de arte, cultura e tecnologia, que faz parte da nova geração que promove a resistência comunitária na região. O Espaço Cultural Mercado Sul atualmente conta, além do Eu Livre, com os seguintes coletivos:

– Grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola: tradicional grupo de capoeira que desenvolve diversos trabalhos culturais e sociais a partir da prática da capoeira;

– Casa Moringa: associação de artistas e educadoras nascida da convivência com as artes e ofícios da cultura popular, que tem como principal objetivo valorizar os conhecimentos populares, promovendo a arte e a educação popular a partir de uma abordagem cultural, vivencial, criativa e colaborativa.

– Estúdio Gunga: estúdio de comunicação que trabalha com software livre e desenvolve diversos trabalhos na área cultural e social. É formado por profissionais, como jornalistas, designers e artistas que compartilham valores da cultura livre e da economia solidária.

Com o apoio de amigos e da comunidade, Eu Livre, desde sua fundação, em 2011, já realizou diversos eventos, impactando mais de 100 pessoas diretamente. Mas o melhor resultado, como relata Mariana, é ver as pessoas se conhecendo, se superando e se cuidando cada vez mais. O resultado está nas pessoas e não nos números.

E o sonho é ir muito além. Mariana, Keyane, Moisés, Dione e Victor, atuais educadores do Eu Livre, explicaram que o plano agora é ter um espaço mais amplo para desenvolver as atividades como empreendedores sociais.  E também atuar nas escolas, trabalhando a resignificação da saúde na raiz, que são as crianças, mas atuando de forma conjunta também com pais e professores, desenvolvendo a comunidade escolar como um todo.

O Eu Livre ganha força nos sonhos e vontades de seus educadores, mas também em suas relações pessoais e no pensamento de outros mestres, como Paulo Freire, que consideram padrinho do projeto. Pensamentos e filosofias também norteiam muito o projeto, como a seguinte citação, muitas vezes atribuída a Eduardo Galeano ou a um provérbio africano:

“Mucha gente pequeña, en lugares pequeños, haciendo cosas pequeñas, puede cambiar el mundo.”

Segundo os educadores, esse pensamento guia muito do que é o projeto, pois fala de microrrevoluções, que é a forma como o projeto atua, assim como formiguinhas fazendo sua parte.

E, por fim, o pessoal do Eu Livre explica que a utopia é o que os fazem tocar o projeto. Para isso, explicam a utopia segundo uma história, também contada por Galeano. Elas contam que, certa vez, Eduardo Galeano estava ministrando uma palestra com um amigo, Fernando Birri, e um estudante perguntou para que servia a utopia. Então, Birri respondeu que:

“A utopia está no horizonte. Se você caminhar 10 passos, a utopia se afastará 10 passos. E quanto mais você avançar, mas a utopia vai se afastar. Então, para que serve a utopia? Pois utopia serve para isso, para caminhar.”

Para conhecer mais sobre a utopia e os passos do Eu Livre, acesse:

– Site: http://www.eulivre.com.br/

– Fanpage: https://www.facebook.com/projetoeulivre

– Mapa da Cultura: https://mapadacultura.org/entidade_equipamentos/eu-livre-educacao-e-saude

E para saber mais sobre o Mercado Sul é só aguardar! Os Capitães de Brasília já estão, junto com o pessoal do Mercado, desenvolvendo um material pra você conhecer melhor esse espaço e essa história.

Este material, que conta a História #43, foi produzido pela co-fundadora do Imagina, Mariana Campanatti, juntamente aos capitães do Distrito Federal, Davi Mello e Juliana Souza.

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