Imagina na copa

Inspire-se com as histórias que encontramos

Aqui você assiste toda semana a uma nova história de quem está transformando o país para melhor. São projetos e ações
de pessoas que fazem seu melhor onde estão e com o que têm para mudar o Brasil. Até a abertura da Copa do Mundo,
em 12 de junho de 2014, serão 75 documentários para inspirar você.
Se quiser indicar um projeto para a gente, fique à vontade! Se quiser colaborar para o próximo, faça uma doação.

História #27 – Vem pra rua III

E agora que já me manifestei?

Vem cá, você tem acompanhado o que tem acontecido no país nas últimas semanas?

Essa pergunta de repente parece ser irracional. Claro que tem! Todos nós temos.

Querendo ou não, é impossível passar incólume a este assunto. Tão logo nos posicionamos, ficamos atentos, somos contra, a favor, fomos para a rua, refizemos opiniões, ficamos esperançosos, depois ressabiados, depois esperançosos de novo, debatemos política, ficamos extasiados. O novo sentimento que aflorou desde o início das manifestações no país tomou, se não a todos, quase todos os corações brasileiros.

Agora que nós fomos para a rua e lutamos pelo nosso direito, o que acontece depois? É só esperar?

Pensei que seria bom escrever a respeito disso depois de ter ouvido – sem ter sido convidada, claro –  a conversa de dois amigos ‘pós-manifestação’ no metrô: “andei 10 km, espero que não tenha sido em vão”. Podemos garantir, ter ido para as ruas, não, não foi em vão. Mas também não é tão simples assim. Ir um, dois, três dias pra rua não garante mudanças perenes e sustentáveis. Já tivemos algumas conquistas e quebramos aquele estereótipo – nada querido – de sermos uma geração acomodada. Mas ainda temos muito trabalho pra fazer. Gostamos dessa frase do livro: “Como mudar o mundo” do John-Paul Flintoff:

Frase-mundo

Ninguém falou que ia ser fácil.

Hoje estamos mudando o destino do país, mas devemos ser persistentes. Como isso parece ser complicado, tentamos aqui – humildemente – ajudar aos bem intencionados a darem os primeiros passos para uma mudança perene:

1. Estamos transformando o tempo todo. Sabendo disso, direcione as mudanças.

Todos estamos o tempo todo gerando mudanças e influenciando a nossa volta, as pessoas, as comunidades. Com essa premissa e tendo consciência disso, vem a pergunta: Como posso canalizar minha influência para que essas transformações que eu já estou gerando naturalmente, possam ser efetivas e direcionadas para o melhor caminho e que faça sentido para mim.

Vamos a um exemplo prático, uma história pessoal e de luta diária (com um bom toque de dramatização):

Eu ando muito de transporte público em São Paulo e me irrito com as pessoas que não entendem que na escada rolante do metrô, se você quer ficar parado, deve ficar do lado direito. Se quer andar, deve ficar do lado esquerdo.

Na verdade, fico bem irritada com as pessoas que param do lado esquerdo e impedem todo o fluxo insano dos metrôs diários de nossas vidas. Ficar irritada não resolve nada, certo? Como posso influenciar esta mudança?

Tomei uma resolução pra mim: A partir de hoje vou explicar gentilmente a todos os ‘encalhadores’ de escadas rolantes que eles deveriam ficar do lado direito, para que as pessoas possam circular livremente pelo outro lado. Eu acredito que eles só param do lado errado por não saberem dessa regrinha básica. Com um simples toque simpático eles mudarão de lado.

metro

Só pelo fato de eu ter contado essa história aqui, talvez alguém que não soubesse dessa regrinha, passe a saber. Assim eu já influenciei alguém para o lado direito da escada rolante :)

Parece simples, né? E é mesmo.

Sua vez: Se pergunte, nas suas atitudes diárias, pessoas que você convive, lugares que você transita, como você pode influenciar positivamente?

2. Apontar onde está o erro não ajuda. Mire nas soluções possíveis e compre o problema para si.

Que a lista de problemas é enorme, isso a gente já sabe. O que é mais importante? Salvar um espécie em extinção ou cuidar dos velhinhos no asilo? Tudo é importante. Complicado, né? Mas a boa notícia é que você não precisa resolver todos os problemas de uma vez. Qual causa faz mais sentido para você?

Para ajudar a responder essa pergunta, tente lembrar daquela discussão que você não consegue não participar, qual problema ela endereça?

Aqui, para exemplificar vamos pegar um assunto clássico: Corrupção. Você concorda que corrupção é uma coisa muito ruim – ‘muito ruim’ sendo um eufemismo classudo – certo? Reclamar sobre a corrupção é ‘chover no molhado’, não resolver, perder alguns amigos no caminho e ainda se sentir cada vez mais roubado. Como podemos ter alguma ação efetiva em cima disso?

Enquanto acharmos que a corrupção é problema de um político específico, de um partido, de um governo, ela nunca será resolvida, pois ela não é de ninguém e todos nós estamos tomando uma distância segura depois da linha amarela.

Devemos nos empoderar do problema e lutar contra ele. Quando o problema da corrupção for apropriada por todos nós, artistas, músicos, comunicadores, servidores, motoristas, estudantes, produtores de soja, enfim, todos nós, assim podemos acreditar que ela cessará. Foi assim que aconteceu com muitas grandes questões do mundo: a luta pelos direitos civis dos negros nos EUA nos anos 60, por exemplo.

martin

Martin Luther King foi apenas um porta-voz de um problema que já havia sido incorporado por todos os negros estadunidenses.

Se empoderar do problema é também se responsabilizar por ele. No caso da corrupção, denunciar, não praticar micro-corrupções, reprimir, se informar, cobrar, etc. Você já estará ajudando na mudança.

Mas como política é um assunto muito polêmico, vou dar um exemplo mais próximo.

No caso do asilo com velhinhos que estão sozinhos, como posso pegar este problema para mim e buscar soluções? Posso promover visitas, ouvir suas histórias, dar uma festa, etc. Ah, isso me lembra uma história muito boa que contamos por aqui:

isabel e agenor

Casamento da Dona Isabel e Seu Agenor, nossa História #11

Todo grande problema começa com pequenas micro-revoluções de cada um de nós. Pense na sua causa, assuma o problema e a partir dele, mire o lado bom, possível e solúvel. Pode começar bem devagar.

3. Devemos nos responsabilizar pelos nossos sonhos.

Aqui não falamos mais sobre apontar o problema e sim sobre construir um caminho novo. Proponho um exercício de reflexão, pode começar despretensiosamente anotando em um caderno: Quais são os seus sonhos? Quais são os seus sonhos coletivos? O que você sonha para a sua cidade? O que te incomoda que você gostaria que fosse diferente? Teve alguma coisa que você viu em outro lugar que gostaria de ver aqui?

Agora olhe para as suas respostas.

O que você tem feito para alcançar estes sonhos?

Devemos nos responsabilizar pelo que sonhamos para nós mesmos e para o mundo. Como já estamos o tempo todo influênciando tudo e todos naturalmente, listar os sonhos é um bom começo para direcionar e gerar mudanças efetivas:

Eu sonho com praças melhor cuidadas. Como anda a praça do meu bairro?
Eu sonho com uma cidade mais amável e humana. Quantos sorrisos eu distribuo no dia?
Eu sonho com mais arte no meu caminho. Quem são as pessoas que podem trazer arte para a rua?
Eu sonho com menos trânsito. Como posso influenciar que as pessoas peguem mais carona?

Nossa imaginação é muito fértil, mas pode ser difícil imaginar os passos para realizar sonhos grandes. Um bom caminho para começar é buscar referências dentro do tema, por exemplo: eu sonho com uma São Paulo mais criativa e colorida. Quais ações estão sendo feitas mundo afora para deixar as cidades mais coloridas? Quais ferramentas podem me ajudar? Quem são as pessoas que também sonham com isso? E assim vai.

meu sonho é

Lembra dessa história?

Gosto especialmente deste último tópico porque hoje, mais do que nunca, nós temos em mãos o poder de construir o futuro que queremos para o nosso país. Como você imagina esse país do futuro? E o que você tem feito pra ele chegar lá?

Alguns exemplos de histórias que já contamos aqui no Imagina e ajudam a mostrar como pode ser simples e fácil ser um agente trasformador. Inspire-se :)

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