Imagina na copa

Inspire-se com as histórias que encontramos

Aqui você assiste toda semana a uma nova história de quem está transformando o país para melhor. São projetos e ações
de pessoas que fazem seu melhor onde estão e com o que têm para mudar o Brasil. Até a abertura da Copa do Mundo,
em 12 de junho de 2014, serão 75 documentários para inspirar você.
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História #26 – Vem pra rua II

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.”

Essa parece ser uma boa frase para o início da nossa conversa. Quem a disse não fui eu, mas Albert Einstein. Sendo um homem da ciência, causou-me, confesso, certo espanto a afirmação. O que ele teria querido dizer com isso? Na dúvida, fui atrás.

O que se segue à afirmação é o seguinte, segundo a Wikipedia: “O conhecimento é limitado [àquilo que conhecemos e entendemos], enquanto a imaginação abarca todo o mundo, estimulando o progresso e permitindo o surgimento da evolução. Ela é, pra ser preciso, um fator real na pesquisa científica.” [tradução livre]

É uma reflexão e, ao mesmo tempo, uma provocação importante, especialmente em tempos como esse. Estamos vivendo, antes de tudo, um momento de grande imaginação coletiva. Imaginamos que é possível viver em um país onde a mobilidade na cidade é pensada prioritariamente para as pessoas, onde a corrupção é punida, onde crianças e jovens têm acesso à educação pública de qualidade, onde doentes são tratados com dignidade, onde homossexuais podem exercer livremente sua cidadania sem serem vítimas de preconceito, onde exista transparência e seriedade no uso de dinheiro público… A lista é ilimitada porque justamente é próprio da imaginação ser ilimitada. Estamos coletivamente criando a imagem do Brasil em que gostaríamos de viver.

Isso é tão poderoso que movimentamos os políticos desta país de maneira quase inacreditável. Tenho certeza de que Brasília tem dormido bem pouco nesses últimos dias, num ímpeto apressado – e atrapalhado – de responder às reivindicações e, ouso dizer, interromper a catarse imaginativa em que nos colocamos. Afinal, se existe algo de certo neste momento é que as coisas não serão mais como eram antes. A extensão dessa transformação, entretanto, ainda está em aberto. Vai depender da resiliência do sistema em manter seu modus operandi e da nossa competência em impedir que isso aconteça.

Segundo Dênis Russo Burgierman, que concedeu um belíssimo depoimento para a História #25, estamos assistindo a um colapso, não só do ponto de vista político, mas de tudo: um desmoronamento do sistema como um todo, que vai desde o significado do trabalho à forma como vivemos e consumimos. A lógica desse sistema está ruindo e já faz tempo. O que mudou foi que estressamos o limite do que acreditávamos ser possível e isso não tem volta, como ele mesmo pontua. Em algum momento, nós deixamos de nos pautar pelas imposições, pelo que era dado e encontramos caminhos diferentes. Estamos “hackeando” o sistema.

Infelizmente os dicionários de Português ainda não encontraram uma definição do termo que não tenha a ver estritamente com “informática” ou “computação” – o que só deixa claro que estão defasados do ponto de vista do tema e, pior, de vocabulário, acredite se puder, caro amigo internauta. A questão é que um hacker hoje não é só mais um “ciberpirata” ou “pirata informático” – desculpa, mas ler dicionários é muito divertido! “Um hacker é alguém que encontra um outro caminho para fazer as coisas, fora da rota tradicional”, explica Natália Garcia, do Cidades para Pessoas.

Em outras palavras, estamos falando de quebrar a regra. Não de forma ilegal, mas de forma a romper com a lógica. Isso é o que fez, por exemplo, Dale J. Stephens, um jovem norte-americano que, frustado com o ensino universitário, fundou o projeto UnCollege, em que estimula outros jovens a largarem a faculdade para experimentar o aprendizado fora das salas de aula. Na opinião dele, a educação formal é um desserviço, porque o aluno tem capacidade de se empoderar para assumir a responsabilidade de sua educação.

Assim como Dale fez na educação, vemos diversos projetos que hackearam os espaços urbanos. Em São Paulo, a galera do Hortelões Urbanos curtiu a ideia de cultivar hortas comunitárias em espaços públicos da cidade e botou pra fazer. Plantam verduras e legumes a poucos metros de vias supermovimentadas e têm o objetivo de influenciar políticas públicas para agricultura urbana. O próprio Cidades para Pessoas é recheado de ótimos exemplos.

O crowdfunding hackeou o sistema financeiro tradicional, permitindo que empresas e projetos captassem recursos fora de bancos e financeiras. São as próprias pessoas que investem nas iniciativas que gostariam de ver acontecer. Só pra ficar no Brasil, temos o Catarse, a Benfeitoria e o Juntos.com.vc.

Em tempos de discussão política acalorada, vale lembrar também o Vote na Web: uma plataforma que permite que as pessoas “votem” contra ou a favor dos projetos de lei que estão tramitando tanto na Câmara quanto no Senado. É uma forma de nos aproximar das pautas, permitir discuti-las e expressar nossas opiniões a respeito delas, hackeando a lógica tão combatida de que essas decisões são tomadas à revelia da população. Imagina se o ‘Vote’ se tornasse uma ferramenta de participação política ampla para dizermos o que queremos e não queremos que vire lei no país? Imagina se pudéssemos dizer, de maneira estruturada, nossa opinião sobre os projetos que são votados por deputados e senadores todos os dias? Imagina se eles soubessem de antemão o que pensamos a respeito dos temas?

Imaginação é coisa sem limite mesmo. Einstein estava certo – perdoe a redundância. A gente imaginou que 2014 ia ser o marco da atuação dos jovens pela transformação do país e cá estamos, um ano antes, vivendo a história que criamos tantas vezes em nossas mentes. Nós achávamos que estávamos loucos de querer ver algo tão grandioso acontecer. E agora, nós temos certeza disso. Nós hackeamos o futuro do país. Agora, aguenta.

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