Imagina na copa

Inspire-se com as histórias que encontramos

Aqui você assiste toda semana a uma nova história de quem está transformando o país para melhor. São projetos e ações
de pessoas que fazem seu melhor onde estão e com o que têm para mudar o Brasil. Até a abertura da Copa do Mundo,
em 12 de junho de 2014, serão 75 documentários para inspirar você.
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História #25 – Vem pra rua

Afinal, pelo que protestamos?

Jovens gritando seus ideais, ruas tomadas, barricadas, repressão – tudo parecia muito distante. Já é notícia há algum tempo, em terras distantes. Mas aí chegou. É difícil pensar em outra coisa. Nos nossos sonhos românticos de “revolução” e vontade de participar de algo tão grandioso, acho que nunca esperamos que fosse acontecer um movimento assim – tudo acontecendo tão rápido.

A pergunta então passou a ser “o que a gente vai considerar sucesso?” ou “o que precisa acontecer pra gente dar aquele suspiro, aquele abraço e se dar por satisfeito?”. E aí a coisa pareceu dar um nó na cabeça. Que não é sobre 20 centavos, parece óbvio  – afinal, em Belo Horizonte, por exemplo, a passagem não aumentou, mas as ruas foram tomadas. Por mais que quem tenha puxado as manifestações insistisse que as manifestações eram focadas somente na redução da passagem, não foi o que vimos estando nas manifestações – muito menos é o que vemos reforçado a cada dia, com o pipoco das manifestações por todos os lados, chegando inclusive a Ipatinga, interior de Minas Gerais e Registro, interior de São Paulo, cidades de origem de metade do nosso time. Então é pelo quê?

Estando nas manifestações, é clara a pluralidade de causas levantadas – saúde, educação, corrupção, direitos individuais, fragilidade, ineficiência do transporte público e, entre várias outras questões, o aumento do custo desse transporte público na maior cidade brasileira. Curiosa é a divergência sobre o que significa protestar por esse tanto de “causas” ao mesmo tempo.

Já vimos todos os tipos de opiniões sobre a importância de ter um foco nesse momento – um amigo até sugeriu que mediássemos uma conversa entre os líderes da manifestação para chegarem a uma plataforma clara e objetiva de reivindicações. Até três semanas atrás esse talvez fosse o jeito de fazer as coisas, mas agora essa ideia parece absurda. Não há lideranças que representem os manifestantes (nós estávamos lá e não nos sentíamos representados por um partido, coletivo ou movimento) e não cabe nesse movimento uma plataforma definida por poucos, tampouco cabem propostas claras e objetivas – pela profundidade dos questionamentos, a resposta será complexa e provavelmente não será definitiva.

O  que a diversidade das demandas mostra é que a indignação é mesmo generalizada. Aí gera-se a ansiedade por convergir em 5 ou 2 causas principais e ter propostas objetivas e claras que vão satisfazer (todas) as pessoas. Mas essa convergência, nesse momento, parece ruim.

É ruim porque compromete a diversidade do movimento e invalida questões muito importantes para quem as levanta. Ao focar em questões que são unânimes, será que não excluímos minorias do processo político do país mais uma vez? Não nos sentimos capazes de dizer se uma causa é mais importante que a outra, sendo elas tão verdadeiras para tanta gente.

Mas principalmente, é ruim porque perdemos a oportunidade de explorar o problema e colaborar para gerar novas soluções – de forma coletiva.

Na pressa de convergir e batalhar por reivindicações, teremos melhorias. Abaixa-se o preço da passagem, sai um corrupto da presidência do Senado,  punem-se os mensaleiros. Melhorias de extrema importância e urgência, nenhuma dúvida sobre isso. Mas teremos transformações? A diversidade de causas reflete a crise do sistema atual – do jeito de fazer as coisas – e reflete também a profundidade das mudanças necessárias. Convergindo agora, sem nos permitir explorar mais os problemas através de conversas abertas, podemos perder a oportunidade de provocar transformações mais significativas.

Quando se estuda processos de inovação, vê-se que é fundamental divergir – entender o problema, abordar diferentes pontos de vista, cocriar diferentes tipos de solução, experimentar e fazer ajustes, experimentar de novo e fazer novos ajustes – para finalmente convergir em uma solução centrada na necessidade das pessoas. Por que esse processo funciona para inovar em produtos e serviços, mas não funciona para o que estamos vivendo agora? Conversas, colaboração, teste e ajuste – seria um caminho?

As melhorias imediatas são necessárias, mas o momento parece pedir o novo.

Esquece o que você sabe sobre precisarmos de um único representante (um prefeito, um presidente, um partido, um líder eloquente e carismático a la Coração Valente), sobre esse representante carregar a promessa de mudança, sobre votar melhor entre as opções que temos. A crise de representação é gigante. Quase meia noite na paulista, na última segunda-feira, uma senhora vem tirar foto do nosso cartaz “nenhum partido me representa” e diz que foi esse sentimento que a fez vestir verde e amarelo e ir as ruas pela primeira vez. Esse sentimento estava por todos os lados – inclusive nos gritos pedindo que se abaixassem as bandeiras – ninguém queria ser reconhecido como uma massa que segue um ou outro, por mais que os partidos, todos eles, tenham direito de fazer parte das discussões.

Então, só pra exercício: esquece o que você sabe sobre esse sistema de representação. Somos nós os nossos representantes. Vou às ruas e grito pela minha causa, defendo minha educação, minha sexualidade, minha opção de transporte, minha liberdade de expressão, minha cultura. A pressão é maior: se a esperança não está em uma pessoa, não poderemos nos queixar depois dessa pessoa ter frustado nossos sonhos de um país melhor – não podemos portanto terceirizar nossa participação na construção do novo Brasil. Podemos, sim, participar. O convite tá feito e reforçado todos os últimos dias nas ruas tomadas pelas pessoas.

O foco é amplo, mas é claro: todas as causas se alinham no estabelecimento de uma nova lógica de mundo, um novo formato e novo compromisso com o Estado. Um Estado para pessoas – não governo em função do próprio governo, em função de empresas, em função de famílias tradicionais,  em função de orgãos internacionais. Um sistema para pessoas. Para a gente – toda gente – viver bem.

O aumento da passagem foi cancelado em São Paulo e no Rio, mas até o momento que escrevemos esse texto nenhuma manifestação foi cancelada. É bonito ver que tudo está tudo tão rápido, que não sabemos como estará quando você terminar essa leitura!

Aonde vai dar? A gente não sabe. Na verdade não temos a menor ideia, mas também é boa a sensação de não saber!  Quando a coisa tá em aberto assim que a gente pode influenciar e construir junto. Não seria a hora de aprender com esse novo processo, horizontal e colaborativo e testar novas ideias?

De todo jeito, ganhamos por estar vivendo esse momento e levantando essas questões. É importante irmos além do desabafo e precisamos ir juntos. Nunca imaginamos estar no meio do mar de gente que foi às ruas nessa segunda-feira, 17 de junho de 2013, em São Paulo. Realmente, por todos e importantes motivos, “o povo unido, é gente pra car*lho.”

Reunimos as principais mensagens que ouvimos nas ruas. Confira:

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Veja algumas das mensagens que estavam rolando na segunda, 17/06, em São Paulo.

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