Imagina na copa

Inspire-se com as histórias que encontramos

Aqui você assiste toda semana a uma nova história de quem está transformando o país para melhor. São projetos e ações
de pessoas que fazem seu melhor onde estão e com o que têm para mudar o Brasil. Até a abertura da Copa do Mundo,
em 12 de junho de 2014, serão 75 documentários para inspirar você.
Se quiser indicar um projeto para a gente, fique à vontade! Se quiser colaborar para o próximo, faça uma doação.

História #20 – Todos na Luta

Rio de Janeiro, abençoado por Deus e bonito por natureza!

Mas não é só de beleza natural que vive a Cidade Maravilhosa. O Rio também é lugar de gente batalhadora, gente que luta, gente que faz acontecer e uma dessas pessoas é a Júlia, de apenas 25 anos e moradora do Vidigal, famosa favela do Rio por possuir uma das vistas mais privilegiadas da cidade.

Com 10 anos, seus pais se separaram e seu pai se mudou para o Vidigal, onde trabalhava. Ela por sua vez, morou no Leblon, em Santa Tereza e depois se mudou para a comunidade. Começou a faculdade de Direito, mas não estava totalmente satisfeita, sabia que aquele não era o seu caminho. Foi quando viu a oportunidade de fazer do trabalho desenvolvido por seu pai, o seu trabalho também.

Júlia é filha de Raff, um professor de boxe que tinha uma academia (fundada em 1993) na entrada do Vidigal que treinava diversos atletas. Ele começou a conceder bolsas para os meninos da comunidade ao perceber que o foco deles era diferente de seus alunos. Eles tinham mais amor pelo esporte, ao contrário da galera da ‘pista’ que buscava mais o “fitness”.

Antes da pacificação das favelas do Rio, a cidade era protagonista de casos de violência e tráfico nas comunidades, o que afetava, principalmente, seus moradores. Com o pai de Júlia não foi diferente. Em 2004, uma guerra entre as comunidades da Rocinha e do Vidigal afastou da academia os alunos pagantes, levando a academia à falência. Mais preocupado com os alunos do que consigo, Raff continuou com a academia mesmo sem condições de pagar o aluguel, pois não podia deixar os meninos na rua. Conseguiu sobreviver graças a contribuição de ex alunos e um contrato que fez com o Vasco da Gama. Mas seu trabalho só vingou mesmo quando fez uma parceria com uma empresa que decidiu investir no seu projeto.
Em 2010 o instituto foi formalizado e hoje tem também cunho social e educativo funcionado em dois seguimentos: Educação Através do Esporte (sem atividade no momento) e Esporte de Alto Rendimento. No primeiro, usam um método baseado no Instituto Ayrton Senna, no qual o objetivo é atingir o desenvolvimento integral do jovem, através do envolvimento da família e escola. O atleta, além do treinamento, recebe um acompanhamento pedagógico e psicológico. No segundo, os atletas com alto rendimento são treinados por professores que também já foram alunos. Um desses professores é Wellington Lisboa, conhecido como Índio, de 24 anos, que começou a frequentar a academia com 14 anos e hoje é um dos treinadores.
Atualmente o instituto está em processo de mudança, pois com a pacificação, houve um aumento dos alugueis na comunidade e Raff foi praticamente expulso do lugar onde o instituto funcionava . Os treinos já acontecem no novo espaço, localizado no coração do Vidigal, porém o lugar ainda precisa de uma reforma, pois ainda se parece muito com oficina mecânica que funcionava no local, e pouco com uma academia de boxe.
Júlia, hoje, é a coordenadora executiva e grande responsável pelo Todos na Luta. Sempre se relacionou muito bem com a comunidade, já que era filha do famoso Raff, mas caiu em suas graças quando se mudou para lá.

Desde 1993 o projeto já atendeu 2.000 crianças e jovens, entre eles o medalhista olímpico Esquiva Falcão, que tinha desistido do boxe, mas graças ao incentivo de Raff, decidiu dar continuidade ao esporte. Hoje Esquiva mora em São Paulo e faz parte de uma família de campeões. Seu pai era lutador e seu irmão, Iamagushi Falcão, também atendido pelo projeto, é um medalhista olímpico.

A faixa etária dos jovens beneficiados pelo projeto é de 9 a 21 anos e se o aluno passar para a Equipe de Alto Rendimento pode ficar no projeto até os 34, que é a idade olímpica. Em 2012 o Todos na Luta atendeu a 200 crianças e jovens da comunidade, ou seja, incentivou 200 crianças e jovens a praticarem esporte ao invés de irem para as ruas.

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